Terceiro Setor no Brasil com Cassiano Rolim

A Tv Tem exibirá a série Terceiro Setor no Youtube e cinco reportagens especiais vão mostrar como a inciativa de cidadãos comuns, instituições e organizações não governamentais vêm ganhando espaço nos últimos anos. É um trabalho que ocupa parte das ações que seriam de responsabilidade do poder público e até da inciativa privada. Mais de 370 mil ONGs atuam em todo o Brasil. Você vai conhecer o que elas fazem nas áreas de saúde, educação, esporte, meio ambiente, organização social e na economia, confira!

 

 

Transcrição do Vídeo

Repórter 1 – A partir de segunda-feira a Tv Tem exibi a série Terceiro Setor. Cinco reportagens especiais vão mostrar como a inciativa de cidadãos comuns, instituições e organizações não governamentais vêm ganhando espaço nos últimos anos. É um trabalho que ocupa parte das ações que seriam de responsabilidade do poder público e até da inciativa privada. Mais de 370 mil ONGs atuam em todo o Brasil. Você vai conhecer o que elas fazem nas áreas de saúde, educação, esporte, meio ambiente, organização social e na economia.

Cassiano – Conceitos novos que ganham força.

Guilherme – Eu acredito que a responsabilidade social é muito muda ao olhar. É perceber, em cada uma das suas ações uma possibilidade de fazer de forma diferente, que contribua para o coletivo.

Cassiano – Inciativas que reúnem comunidades inteiras, verdadeiros exércitos, por uma causa comum. Projetos que empregam mais de um milhão e meio de pessoas em fundações e institutos no país, além de atrair outros milhares de voluntários.

Camila – A satisfação pessoal é muito maior do que se eu estivesse trabalhando para uma empresa.

Cassiano – Ações que podem salvar a vida de muita gente.

Fulana 1 – CVV, boa tarde.

Cassiano – E até o Brasil inteiro.

Fulano 1 – É uma forma de geração de trabalho e renda, além de destinação dos resíduos.

Cassiano – Ou, todo o planeta.

Repórter 3 – Eles soldaram todas as portas de acesso ao edifício.

Cassiano – No caminho para a cidadania, o investimento social privado funciona como uma luz e, cada uma que se acende, ajuda o jovem a sair da periferia para o centro das decisões da sociedade.

Claudemir – Eu nasci numa favela e eu cresci numa favela. Eu nunca tive parâmetros, né? Para me espelhar. E é por isso que eu faço, por isso que eu realizo trabalhos voluntários e, quer dizer, isso já esta intrínseco em mim.

Cassiano – Esse perfil passou a ser importante até aqui na bolsa de valores de São Paulo. Desde novembro de 2005 os acionistas contam com uma espécie de guia das empresas mais comprometidas com a sociedade para investir. É o índice de sustentabilidade empresarial, o ISE, que conta atualmente com 34 das principais empresas do Brasil.

Serginho – Eu acho fundamental a gente ter conhecimento de que existe um Brasil andando paralelo ao Estado, que cumpre as funções que às vezes o Estado não cumpre, que não pode cumprir, ou que não quer cumprir.

Fátima – Incialmente a gente acha que vai ajudar alguém, mas quem sai ganhando é a gente, sempre.

Repórter 1 – Na primeira reportagem, segunda-feira, você vai ver como começaram a se formar as organizações não governamentais e o trabalho realizado por elas. Não perca.

 

SEGUNDO BLOCO

Repórter 1 – No Brasil mais de 25% das pessoas vivem na miséria, de acordo com pesquisa da Fundação Getúlio Vargas. Para diminuir as diferenças sociais e defender os interesses coletivos, foram criadas organizações não governamentais. O termo ONG surgiu a mais de 60 anos e durante todo esse tempo muito trabalho tem sido feito por uma sociedade mais justa, com a participação de todos.

Cassiano – Hoje, na primeira reportagem da série terceiro setor, você vai entender melhor como atuam os voluntários e funcionários de fundações e institutos que se especializaram no resgate da cidadania, um conceito que só pode ser construído com dedicação e solidariedade.

Cassiano – Periferia.

Bruno – Aonde eu moro é um buraco, as ruas não são própria para os carros. A maioria da pessoa mora em barraco, onde mau consumo é álcool e cigarro.

Cassiano – Da revolta.

Bruno – Como quer mudança desse jeito? De braços cruzados querendo tudo feito.

Cassiano – Nasce a determinação.

Bruno – Capacidade você tem para vencer, só basta correr atrás para tudo obter.

Cassiano – Em Diadema, região do ABC, como nos subúrbios de Nova York, um encontro com a autoestima. A comunidade tomou conta do que era dela, fez do Centro Cultural Canhema a casa do hip hop desde a década de 90. Espaço para prática de som, voz e dança.

Breno – A rapaziada que começou dançar essa dança, eles chegavam na roda, né? Que é onde se desenvolve a dança, para dançar justamente na parte instrumental da música, que lá fora é conhecido como break, né? É uma parte quebrada. Então chegou os breakers boys, as breakers girls, por causa das meninas, né? Aí pegou, bboy, bgirl, né?

Cassiano – Movimentação. Esperança.

Bruno – Eu achei ser essencial cantar um rap. Primeiro que era um modo de eu falar, de eu me expressar, o que eu sinto, o que eu vivo, o que eu vejo, as coisas erradas que acontecem no nosso dia-a-dia e mostrar né? E estar tipo dando uma mensagem positiva para a pessoa não errar.

Cassiano- De onde vem esse fenômeno que promove mudanças sem estar atrelado ao serviço público ou às metas típicas de empresas? Imagine dividir o Brasil em dois. Governo, primeiro setor. Inciativa privada, segundo setor. Onde ficariam as pessoas com diferentes interesses, ideais e necessidades? É por isso que existe o terceiro setor, grupos de cidadãos que ajudam a sociedade e defendem causas.

Valter – É um trabalho como o de qualquer outro setor, do primeiro setor, do segundo setor. Só que muda um pouco a direção do lucro. No caso, a gente não tem o dinheiro como um fim e sim como um meio para atingir alguns resultados.

Rodrigo – Depois que eu partir para a vida de voluntariado, abriu várias portas para mim no campo social, comecei a participar de várias atividades sociais nas comunidades, a ajudar a criar um grande elo na comunidade.

Cassiano – Existem muitos tipos de organizações sem fins lucrativos. De um clube, a uma igreja, a um hospital filantrópico. De uma associação de bairro, a uma associação comercial. De uma creche, a algumas universidades. Pela lei, todas são conhecidas como fundações, associações ou organizações religiosas. De acordo com o último levantamento do setor, feito em 2002, elas representavam 276 mil instituições no país. Como será fazer parte de uma equipe de trabalho assim?

Camila – Saber que você está trabalhando para isso, que você está contribuindo para isso, é a grande diferença, é o grande benefício de trabalhar para o terceiro setor. Isso não tem preço. A satisfação pessoal é muito maior do que se eu estivesse trabalhando para uma empresa.

Cassiano – Há cinco anos, um milhão e meio de pessoas estavam empregadas em fundações e associações no Brasil. Não se sabe qual é o número atual, mas pela importância crescente do setor dá pra imaginar ele é bem maior.

Repórter – A profissionalização e a especialização são recentes. O campo social só começou a ser classificado em 1945, quando foi inventado o termo ONG – Organização Não Governamental.

Eleilson – ONG surgiu nos documentos da ONU, do Banco Mundial, depois do pós-guerra. No processo de recuperação dos países afetados com a guerra, foi dito lá e, a certa altura (…) e os recursos destinaram a órgãos governamentais e a organizações não governamentais. É interessante porque num momento tão importante da história mundial já foi reconhecido que existia a sociedade civil. Tem o papel também em momentos importantes como foi o pós guerra na Europa.

Cassiano – Hoje as ONGS são mais caracterizadas como instrumentos de cidadania e pressão política.

Eleilson – nós não somos um tipo de ONG que fica atuando apenas nas consequências dos problemas, a gente busca a causa dos problemas. E indo as causas dos problemas, a gente, necessariamente, percebe o papel do Estado no cumprimento das demandas sociais. Então, nós não somos um grupo de ONGs, portanto, assistencialista ou filantrópica.

Cassiano – Um exemplo.

Deise – A Fala Preta surgiu há dez anos atrás, ela era uma parte do programa de saúde da (…) estudo da mulher negra, e aí, a partir daí, se separaram e a partir dessa separação se fundou a Fala Preta Organização de Mulheres Negras, que tem como objetivo trabalhar pela garantia e preservação dos direitos humanos, de mulheres negras e jovens.

Cassiano – Mas até a ABONG reconhece: a caridade e a assistência ainda são importantes. A 170 quilômetros da capital paulista, o grupo de apoio à adoção de Itapetininga já recebeu cerca de 180 crianças em 12 anos. As mais velhas também vem conseguindo ganhar um lar.

Carlos – No passado tivemos três irmãos, um de 8 anos, um de 6 e um de 4 foi para São Paulo. Tivemos duas irmãzinhas, uma de 6 e uma de 4 e agora estamos num processo que está finalizando também aqui, um casalzinho de irmãos de 6 e 4 anos.

Cinira – uma criança pequena leva um ano e meio quase para você ouvir falar mamãe, papai, e aqui não, foram 15 dias que, de repente, eu acordei com alguém falando: mamãe, quero ir no banheiro.

Claudemir – Eu nasci numa favela e eu cresci numa favela. E eu não tive, eu nunca tive parâmetros, né, para me espelhar. E eu fui encontrar esses parâmetros quando eu comecei a trabalhar no escritório.

Cassiano – O passado ensinou a Claudemir.

Claudemir – Eu sei que muitos desses jovens que hoje estão à beira, à margem, é o que falta, além da oportunidade, é um incentivo.

Cassiano – O banco em que ele trabalha é líder mundial em serviços financeiros. Tem quase 200 anos, 200 milhões de contas e 300 mil funcionários. Cada um ganha tempo para o voluntariado. Não foi criada nenhuma ONG, mas o resultado é mesmo, o benefício público.

Em um projeto para jovens empreendedores, Claudemir ajudou a formar um artista talentoso que faz os próprios instrumentos de percussão. As batidas, Raifah domina. O músico de Ribeirão Pires, na grande São Paulo, precisava de uns toques sobre o ritmo do mercado.

Raifah – A troca de experiência que tele foi muito bacana, pessoas de diferentes áreas, alguns trabalham com música, outros trabalhavam com confecção de roupa mesmo. Então, a troca foi muito bom porque só produzir é legal, mas você tem que vender.

Cassiano – O projeto é da fundação ABRINQ. Existente desde 1990, ela foi determinante na aprovação do estatuto da criança e do adolescente.

Fernando – Uma fundação que teve origem da Associação Brasileira de Fabricantes de Brinquedos, com empresários que estavam indignados com a situação da infância e da adolescência no Brasil.

Cassiano – Políticas que tiveram continuidade com o programa Empresa Amiga da Criança.

Fernando – Empresas que se associavam a Fundação ABRINQ, firmando um termo de compromisso de que não teriam crianças ou adolescentes, abaixo dos 14 anos, trabalhando nas suas empresas e não permitiram, também, que na sua cadeia produtiva, os seus fornecedores, todos os seus fornecedores também não tivessem crianças nem adolescentes abaixo dessa faixa etária trabalhando.

Cassiano -Responsabilidade social.

Oded – Responsabilidade social é uma cultura de gestão, é uma escolha que o empresário faz, que os administradores fazem, de gerir uma empresa, uma forma de gerir uma empresa, que forma é essa? De medir todos os impactos das ações da empresa sobre as pessoas, e aí, eu estou falando do funcionário, do meio ambiente, do governo, sociedade, fornecedores, clientes, investidores, acionistas, concorrente, todas as pessoas e só levar adiante programas, projetos, ações que impactam positivamente sobre as pessoas.

Cassiano – Economia solidária, a inclusão num vocabulário do novo jeito de administrar.

Cassiano – Amanhã, na segunda reportagem da série terceiro setor, questões sociais, problemas econômicos e até vidas salvas por uma palavra amiga. Tudo com criatividade e envolvimento de organizações.

TERCEIRO BLOCO

 

Repórter 1 – Moradia, saúde, reaproveitamento do lixo na geração de energia e até salvar vidas. O trabalho do voluntariado é diversificado e atende a situações, muitas vezes, desprezada pelo poder público, Cassiano.

Cassiano – Hoje, na segunda reportagem da série terceiro setor, vamos conhecer quem se preocupa em conseguir recursos, para viabilizar grandes ideias.

Cassiano – Os bandeirantes se espalharam pelo interior do Brasil para desbravar o sertão, que era desconhecido por nossos colonizadores. Atualmente, novos espaços nacionais precisam ser preenchidos, nos pontos onde tanto o setor público quanto o setor privado são lentos para atender os interesses da população. As organizações não governamentais se deslocam com facilidade. Na divisão do espaço civilizado, a parte que coube aos índios pankararus foi à do desamparo. Fome, seca e conflitos por terras começaram a afastá-los dos anos 50 da aldeia Brejo dos Padres, em Pernambuco. O destino de famílias como a de Maria? São Paulo.

Maria – Compramos um barraquinho, que quando a gente sentava, o joelho encostava na parede do barraquinho de tão pequenininho que era.

Cassiano – Políticas habitacionais mudaram um pouco a favela do Real Parque, onde estão 30% dos 1500 pankararus da região metropolitana. Maria, tenta não esquecer quem é.

Maria – A gente amanhece o dia, dança toré dentro do apartamento mesmo e ninguém liga. Tem gente que até gosta, acha bonito.

Cassiano – Mas unir de novo, em torno das tradições, um povo desagregado, não é trabalho pra uma pessoa. Em 2003, os índios criaram a ação cultural indígena Pankararu, para quem quer fazer o caminho de volta ou viver melhor aqui.

Dimas – Pela dificuldade, pelo contraste da aldeia com esse lugar, que eu nunca tinha visto nada igual. Negócio de prédio, gente morando em “riba” do outro, nunca vi isso na minha vida.  Então, o choque realmente foi desesperador.

Paula – Eu acho que o Brasil tem que conhecer essa realidade. Como eles, existem tantos outros grupos que estão fora de suas áreas indígenas e, se estão fora das suas áreas indígenas, é porque há algum problema sério no Brasil, nas demarcações. Para ter uma ideia, tem mais índios fora das áreas do que dentro. São mais ou menos 730 mil ou mais, que se autodeclaram indígenas no Brasil e só 350 mil estão nas áreas indígenas. Então, a gente tem que rever, o que que é isso, o que é esse processo.

Dimas – Aquele tipo de você morar com um pouco de tranquilidade, que a gente sabe que as moradias aqui são moradias que não oferecem segurança no geral, na parte de você manter sua cultura, desenvolver seus trabalhos com a comunidade, a gente falta de espaço. É essa seria uma das partes fundamentais de interesse que a gente ainda quer atingir.

Cassiano -A exploração de negócios, à moda antiga, sempre gerou riqueza para os responsáveis sem a preocupação com a comunidade, uma prática que só aumentava o vácuo entre ricos e pobres. Aqui no núcleo Pedra sobre Pedra, na zona sul de São Paulo, o vácuo foi o buraco deixado por uma pedreira que trabalhava no local. E dar alternativas a esse vazio, em que o poder público atua muito pouco, é tarefa das próprias famílias que se instalaram aqui.

Renda? Escassa. Sujeira? De sobra. Como equilibrar os problemas de 24 mil moradores, segundo uma contagem extraoficial? Para o líder comunitário, com uma máquina que transforma esgoto e restos orgânicos em gás.

Jocemar – Uma forma de geração de trabalho e renda, além de destinação dos resíduos.

Cassiano – Jocemar parou de estudar na 8ª série. É adepto do aprendizado por conta própria. Enquanto catava materiais recicláveis, o pernambucano arranjou tempo para pesquisar.

Jocemar – A diferença do Jocemar do passado para hoje, é que o Jocemar era um catador que vivia sozinho, desunido e desorganizado. Hoje eu estou na forma cooperativista, além de presidir uma cooperativa, Pedra sobre pedra, eu também estou em torno de um grupo de pessoas com um só objetivo.

Cassiano – Acabar com a dependência do botijão.

Jocemar – Com 80 quilos de resíduos, a cada 72 horas, eu produzo 13 quilos de gás.

Cassiano – Metano puro e patenteado, principal aposta da ONG Pedra sobre Pedra.

Jocemar – O objetivo é não só atender a comunidade que nos deu a matéria-prima, mas também engazopar, comercializar.

Cassiano – Invenção da favela, pesquisa de ponta na universidade. Com o esgoto produzido diariamente por 500 pessoas, cientistas do Centro Nacional de Referência em Biomassa da USP acendem novas alternativas para o país.

Fernando -Uma coisa que engrandece muito é a diversificação da matriz energética, que é uma coisa que precisa mesmo para o Brasil. Como cresceu muito então tem que ter energia, sem energia não se cresce. Então, vamos fazer um crescimento de energia saudável, vamos colocar uma série de fontes de energia de maneira que você não dependa de uma só.

Cassiano – O disparo de luz da câmera. O primeiro recurso para detectar uma doença rara, o câncer de olho. O clarão na retina é o sintoma.

Sidnei – Alguns chamam de brilho do olho de gato, como quando você passa, o gato passa em frente ao farol de carro. Isso é um dos sinais e dificilmente é outra doença que não o retinoblastoma.

Cassiano – Em dezembro de 2006, esta capixaba descobriu um tumor na filha de dois anos, confirmado por um médico.

Marinalva – Acho que o momento mais difícil pra mim foi na hora que ele falou: aqui não tem jeito. Você vai ter que sair. Aí eu ouvi muitos né, falar que Belo Horizonte está bem avançada. Eu perguntei a ele: qual o melhor? Ele falou assim: o melhor é São Paulo.

Cassiano – Na capital, Marinalva e Dana receberam assistência da Tucca, uma associação para crianças e adolescentes com câncer. O tumor já tinha tomado conta do olho esquerdo da menina e não foi possível preservar o globo ocular. Pelo menos, a vida dela sim.

Sidnei – Quanto mais precoce a família perceber isso e procurar, a gente consegue salvar mais olhos, fazer menos agressividade no tratamento e curar muito mais.

Cassiano – A entidade mantém parceria com o Hospital Santa Marcelina referência no tratamento. A Tucca arrecada dinheiro  para novos aparelhos e medicamentos, promovendo atividades.

Sidnei – Nós temos oito espetáculos voltados para o público infantil, cinco para o público adulto, mais jantar anual, mais enfim, uma série de ações que vão acontecendo no ano todo, na forma de conseguir certa sustentabilidade, sem simplesmente aquela forma só de pedir doações.

Cassiano – Quem apoia a ONG com doações, com o trabalho ou com a compra de ingressos das apresentações, promove um espetáculo ainda maior para as crianças: de que o futuro é possível.

Tormento, aflição, dor. Sentimentos que podem levar ao desespero. Às vezes, é só falta de alguém com quem desabafar.

Senhora – CVV, boa tarde.

Eloá – O CVV está preparado para receber desde uma criança até um idoso, desde um homem, uma mulher, aqueles que precisam falar alguma coisa que os incomoda muito, que eles não conseguem encontrar alguém que tenha tempo, disponibilidade.

Cassiano – Serviço gratuito de compreensão, oferecido nem por empresa, nem por governo, por pessoas que se doam a causa como em Sorocaba. Em 2006, os 2300 voluntários do Centro de Valorização da Vida atenderam mais de um milhão de pessoas. O CVV é o sexto maior gerador de chamadas telefônicas do Brasil, uma a cada 33 segundos.

Eloá – Ninguém está preparado para ouvir sempre situações difíceis. Então, todos os nossos voluntários têm dentro do nosso grupo o apoio dos próprios colegas voluntários. Mesmo né quando o voluntário não se sente bem com um atendimento, ele não vai contar o atendimento, ele vai falar sobre os seus próprios sentimentos que ficaram abalados.

Cassiano – Emoção em nome da consciência. Atores procuram um ponto de concentração de pessoas, de um jeito criativo, dão um recado sobre bebida e direção. A atividade da APATRU, Associação Preventiva de Acidentes e de Assistência às Vítimas de Trânsito de São José do Rio Preto, criada por Antônia, que perdeu o filho em um acidente de moto.

Antônia – Isso te dá uma sensação de e de inutilidade, enquanto mãe que deu a vida e tudo aquilo que seu filho poderia realizar, todos os sonhos que ele tinha, ficou, tudo suspenso.

Cassiano – Tragédia pessoal ou um simples dom. O voluntariado tem inúmeros motivos. Paulo é representante comercial e não é difícil, no escritório, a bola de basquete inspirá-lo a trocar de roupa no meio do expediente, o rumo à quadra de esportes.

Paulo – Eu amo basquetebol.

Cassiano – Paulo não tem nada a esconder, nem do que se envergonhar. Ele é professor voluntário de educação física numa escola municipal de Bauru. Foi liberado pela empresa para a qual trabalha a usar algumas horas de serviço durante a semana para o ensino.

Paulo – Ela esta tendo um resultado positivo tendo o seu nome assim vinculado a uma atividade que dá certo, é uma atividade que é boa aos olhos da comunidade, da praça onde ela atua, no caso, onde eu trabalho.

Cassiano – Graças à iniciativa, esta aluna de Paulo quer ser jogadora profissional de basquete.

Kethlin – Por causa que eu sou alta, o único jogo que dá certo pra mim. Então, eu gostei de ter aula com ele agora. Se não fosse pelo Paulo, eu não seria nada agora.

Paulo – Espaços aí disponíveis existem, é público carente existe e  profissionais capacitados né, de várias  áreas esportivas, não precisa ser apenas basquetebol. Basta ter boa vontade né e interesse.

Cassiano – Amanhã, na terceira reportagem da série terceiro setor, a contribuição estrangeira no país. Recursos vindos de fora para desenvolver projetos genuinamente brasileiros.

Repórter 1 -E se você quiser rever esta reportagem acesse o nosso site www.temmais.com;terceirosetor.